Regularizar sem democratizar?

A política de regularização fundiária no Brasil em perspectiva histórico-institucional

Autores

  • Cristiano Patrício de Almeida Centro Universitário Uniaraguaia
  • Monyele Camargo Graciano Universidade Federal de Goiás
  • Ana Carolina de Morais Garcia Centro Universitário Uniaraguaia

DOI:

https://doi.org/10.25059/2527-2594/retratosdeassentamentos/2026.v29i1.673

Palavras-chave:

Lei de terras, Reforma Agrária, Concentração fundiária, regularização fundiária

Resumo

Este artigo analisa a formação histórica e a permanência da concentração fundiária no Brasil, destacando o papel dos marcos legais e das disputas políticas na estrutura agrária. Nesse sentido, parte-se da Lei de Terras de 1850, que instituiu a terra como mercadoria e consolidou o latifúndio ao excluir ex-escravizados, posseiros e agricultores familiares. Examina-se a evolução normativa até o Estatuto da Terra (1964) e a Constituição de 1988, evidenciando o distanciamento entre a consagração jurídica da função social da propriedade e sua efetivação prática. Metodologicamente, o estudo adota abordagem qualitativa, com revisão bibliográfica e análise documental de legislação, decretos, políticas públicas e dados institucionais. Demonstra-se que, especialmente após a Lei nº 13.465/2017, a regularização tem operado como mecanismo de legitimação do latifúndio e da grilagem, aprofundando desigualdades socioespaciais. Por fim, analisa-se o Programa Terra da Gente como uma inflexão recente na política fundiária, cujo potencial democratizante depende da superação de entraves institucionais históricos e da articulação com políticas estruturantes de inclusão produtiva e controle estatal do território.

Biografia do Autor

Monyele Camargo Graciano, Universidade Federal de Goiás

Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com atuação nas áreas de instituições políticas, comportamento eleitoral e sistemas representativos. Mestra em Agronegócio pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com ênfase em desenvolvimento regional sustentável e foco na análise de políticas públicas voltadas à agricultura familiar, reforma agrária e transição agroecológica. É também especialista em Direito Civil e bacharela em Direito. Como docente, leciona disciplinas nas áreas de Direito Civil, Direito de Família e Sucessões, Direito Agrário e Direito Empresarial, além de atuar no Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) do Centro Universitário Araguaia (UniAraguaia). Integra o corpo docente da Universidade Federal de Goiás, ministrando disciplinas na àrea de Ciência Política no curso de Ciências Sociais. Compõe o Núcleo de Pesquisa e Extensão Rural (NuPER), desenvolvendo estudos sobre políticas agrárias, desenvolvimento territorial e sustentabilidade, conectando a produção acadêmica às demandas das comunidades rurais. Além disso, integra o corpo docente do curso de Administração com ênfase em Cooperativismo do PRONERA Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária , atuando nas áreas de Direito e Política. Na pesquisa, dedica-se a temas como regularização fundiária, políticas públicas para o desenvolvimento rural e análise de sistemas políticos. Como advogada, possui experiência em Direito Civil, Família e Sucessões, Direito Ambiental e Direito Agrário.

Ana Carolina de Morais Garcia, Centro Universitário Uniaraguaia

Mestra em Direito Agrário pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito Agrário da Universidade Federal de Goiás. Pós-graduada em Mediação, Conciliação, Negociação e Arbitragem pelo Centro Universitário de Goiás. Pós-graduada em Direito Constitucional e Direito Administrativo pela Faculdade Fortium. Pós-graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. Pós-graduada em Docência Universitária pela Universidade Estadual de Goiás. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Docente do Curso de Direito e Coordenadora dos Cursos de Pós-Graduação em Agrário e Agronegócio; MBA em Perícia Judicial e Extrajudicial do Centro Universitário Araguaia - UniAraguaia. Fundadora, Responsável Técnica e Instrutora Docente da Câmara e do Instituto Nacional de Mediação e Conciliação. Coordenadora e Docente dos Cursos de Mediação da Primeira Câmara de Conciliação e Mediação Financeira e Ambiental. Coordenadora e Docente dos Cursos de Mediação do Instituto Mediação. Coordenadora e Docente dos Cursos de Mediação da CAM ACIEG. Advogada, inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Goiás sob o número 35668, atuante na Justiça Comum Estadual e Federal. Com atuação profissional no Distrito Federal, no Estado de Goiás e no Estado do Tocantins. Instrutora certificada pelo Conselho Nacional de Justiça. Instrutora do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás nos cursos de Mediação e Conciliação Judicial e Expositora das Oficinas de Divórcio e Parentalidade. Instrutora certificada pela AJURIS para a formação de Facilitadores de Círculos de Construção de Paz em Processos Menos Conflitivos. Tutora do Conselho Nacional de Justiça. Mediadora Judicial certificada pelo TJGO. Mediadora Familiar certificada pela EJUG e pelo IMAP. Negociadora certificada pela CMI Interser e pela PUC Minas. Facilitadora certificada pela AJURIS. Arbitralista certificada pela CBMAE. Perita. Atua em Processos Judiciais e em Procedimentos Extrajudiciais. Mediadora da CAMES e da CAM ACIEG. Docente do Curso de Pós-Graduação em Negociação, Mediação e Arbitragem da DALMASS - ESA/OAB-GO. Docente no MBA de Perícia Judicial e Auditoria - IPECON/PUC Goiás. Docente da EBPOS no MBA de Direito Imobiliário e MBA Direito da Família e Planejamento Sucessório. Docente do MBA Gestão Comercial Marketing com Ênfase em Estratégias Digitais - FAC UNICAMPS. Docente no Curso de Pós-Graduação em Direito Empresarial da PUC-GO. Docente da ESA-GO nos cursos de Mediação. Membro da Comissão de Agrário, Agronegócio, Mediação, Conciliação e Arbitragem da OAB/GO.

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Publicado

2026-07-30

Como Citar

de Almeida, C. P. ., Graciano, M. C., & Garcia, A. C. de M. (2026). Regularizar sem democratizar? : A política de regularização fundiária no Brasil em perspectiva histórico-institucional. Retratos De Assentamentos, 29(1), e673. https://doi.org/10.25059/2527-2594/retratosdeassentamentos/2026.v29i1.673

Edição

Seção

Artigos Originais